Retirantes, 1944, de Cândido Portinari

Retirantes, 1944, de Cândido Portinari

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Portinari: Na tela a Literatura dos Nordestinos

  
       
 

     "A figura do retirante representa para Portinari uma reminiscência dos tempos da infância. Todo ano, movidos pela seca, apareciam em Brodósqui grupos maltrapilhos e rotos, de trouxa na cabeça, ventre bojudos e pés disformes. (...) O retirante é a outra face do trabalhador, é a outra face do progresso social, é a verdadeira face da fachada populista. Na denúncia emotiva, Portinari não lança mão nem mesmo do elemento racial: o retirante é indiferente, negro ou branco. A marginalização deixa de ter cor para converter-se numa realidade mais ampla, que, em certos momentos, assume caracteristicas universais."
          (Annatereza Fabris, Portinari pintor  social)   

            
        "(...) Dizem que somos pessimistas e exibimos deformações; contudo as deformações e a miséria existem fora da arte e são cultivadas pelos que nos censuram.  O que as vezes pergunto a mim mesmo com angustia, Portinari, é isto: se elas desaparecessem, poderíamos continuar a trabalhar? Desejaríamos que realmente elas desapareçam ou seremos também uns exploradores, tão perversos como os outros, quando expomos desgraças? (...)"
        (trecho da carta de Graciliano à Portinari em 15 de fevereiro de 1946, extraído da biografia Velho Graça de Dênis de Moraes) 


       "(...)Em Vidas Secas, seu último romance, Graciliano nos apresenta um setor da realidade brasileira que ainda não fôra  (ou fôra apenas em proporções mínimas), penetrado pelos elementos capitalistas, em sua forma moderna: a realidade agrária da região nordestina assolada pela sêca."
        (Carlos Nelson Coutinho, Uma análise estrutural dos romances de Graciliano Ramos


       "Em Vidas Secas Graciliano leva ao máximo a sua costumeira conteção verbal, elaborando uma expressão reduzida à elipse, ao monossílabo, aos sintagmas minimos para exprimir o sufocamento do vaqueiro confinado aos níveis mínimos de sobrevivência"
        (Antonio Candido, A educação pela noite)
   
       "Fabiano é um ser atemporal, sem passado nem presente. Apenas existe, estático, como qualquer elemento da paisagem ressequida. A rigor, talvez nem possa falar, nesse romance, de ação de personagens determinada por condições estruturais da região, de tal forma aquelas se confundem com estas. Em Vidas Secas há uma inversão de valores: o homem é animalizado e o animal humanizado."
         (Leticia Malard, Ensaio de literatura brasileira: ideologia e realidade em Graciliano Ramos)




      Com base nas citações acima, e na leitura do capítulo 1 de Vidas Secas, "Mudança", responda as perguntas abaixo:     

       1.Você acha que o estado psicológico da família de retirantes a que se refere o texto de Graciliano Ramos também está reproduzido na tela? Como? Dê exemplos.

2. Comparando o texto literário com quadro de Portinari, pode-se dizer que ambos são obras engajadas? Como você justifica essa afirmação?

3 comentários:

  1. Sim, a forma com que eles estão vestidos, o plano de fundo,enfim tudolembra a forma com que Graciliano descreve a familia.
    Sim, pois foi como se Graciliano escrevesse e Portinari transfoma-se as suas palavras em quadro.

    Eliane de Jesus

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  2. Que tipo de sentimento moveu ambos os artistas?
    A arte, mesmo vista sob a obrigação da escola e do vestibular, deve nos despertar sentimentos,devemos estar abertos para ela...

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  3. Ana Clara, Lia e Lorena. O sentimento que moveu ambos artitas foi, sobretudo, o de justiça social. Conforme disse no artigo que está no link ao lado, na Revista Crátilo, Para Portinari e Graciliano Ramos a arte é antes de tudo um ato de consciência crítica, a arma da qual eles dispõem e se servem para que o homem possa ter uma existência mais digna. Concordo com você que a arte deve nos despertar sentimento, talvez essa sua sua função primária, ainda que seja vista sob a ótica da escola e do vestibular.

    Larissa Arruda de Oliveira

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